Porque é que não conseguimos sorrir todos os dias, e ainda assim temos de parecer sempre fortes? Há dias em que devia ser permitido dizer que estamos magoados, sem sermos olhados com pena, como alguém que não consegue resolver os seus problemas ou não consegue gostar de si, só.
Quando amamos alguém que não nos ama saímos magoados. Primeiro porque o amor é como a heroína: vicia-nos. Num ápice habituamo-nos à pessoa, ao carinho, às palavras, ao ter aquela companhia com quem partilhamos a nossa vida. E no fim, como na toxicodepêndencia, há o desmame. Há aqueles que também lhe chamam luto. Prefiro a minha definição. É a fase de tentarmos viver sem a outra pessoa. Tentar... Como na droga. Os corajosos conseguem! É tudo uma questão de tempo para eles. Mas esse tempo é duro. Aporta muitas lágrimas, muita mágoa, memórias, tantas. Hoje como em muitos dos dias passados quis dizer o quão magoada estou. Mas esta dor é assim: sofrida para dentro. Somos nós que temos de lutar sozinhos contra ela. Não há cirúrgias que a possam remover, nem terapias alternativas que miraculosamente a façam sucumbir em nós.
A mágoa é um sentimento feio. Faz-se de dias tristes. Grita lá dentro sem se poder ouvir cá fora. E eu só quero ser FELIZ!