A pedido de muitas famílias (foi só uma, na verdade) cá vim eu escrever qualquer coisinha...
Pois é, passei de "viver no meio do oceano" a "viver num centro urbano", e só me recuso a mudar o título do blogue porque foi precisamente por viver numa ilha que resolvi começar a escrever. Mas afinal o que é melhor: viver numa ilha ou numa "grande" cidade? É esta a pergunta que muitas pessoas me fazem. A resposta não é clara, porque o modo de vida é tão distinto que é difícil encontrar-mos meios de comparação. Começo pela principal diferença: o movimento! Nada a ver!!! A vida numa ilha é muito mais calma, e uma grande parte do tempo gosto disso (gostava quando lá vivia...), sentimos-nos mais tranquilos, sem pressas, e por mais incrível que pareça isso reflecte se mesmo na maneira como trabalhamos, aproveitamos a vida, atendemos às responsabilidades e ainda nos sobra tempo. É como se uma hora tivesse 120 minutos. Na cidade não. Mal damos por nós já passou um dia, no meio de trabalho, transportes públicos, uma ida ao supermercado, um café, ginásio, não nos sobra tempo. Vejo todas as pessoas apressadas na rua e é como se eu também fizesse parte deste ritmo frenético. A vontade de acordar e sair de casa também é muito distinta, ora vejamos, gostavam mais de sair de casa para passear no meio de prédios, ouvir o barulho incessante de autocarros e ambulâncias, enfrentar temperaturas mínimas de 2, 3 ou 4ºC, ou de sair com temperaturas amenas, num dia de sorte ir até à praia ou simplesmente sentar-se num café a contemplar o mar, ou dar um passeio sem ter de esperar 5 minutos de cada vez que queremos atravessar a rua e não podemos só porque o sinal está vermelho para os peões? Pois é... São coisas muitos pouco comparáveis e por isso é que muitas vezes penso que "Viver no meio do Oceano" era muito bom, uma qualidade de vida que muitas pessoas não conhecem e nunca vão ter oportunidade de conhecer e, que felizmente eu tive oportunidade de vivenciar. Só que nem tudo são rosas... E o poder ter acesso a coisas que aqui nos parecem tão básicas como ir ao cinema, ao teatro, ou outras actividades culturais que muitas vezes são de entrada livre, ver artistas de rua (e Homo gunae a pedir dinheiro também, para quem não conhece faça favor de dar um passeio pela bela cidade Invicta, tenho a certeza que rapidamente dão com um ou vários exemplares), imensos transportes públicos, viagens low cost, cafés ou lounges inovadores e que nunca paramos de descobrir. Podem parecer coisas fúteis para os mais fanáticos hippies que não abrem mão de um simpático modo de vida zen e longe de confusão, contudo a verdade é que o homem se habituou a viver na era tecnológica e a vida não seria a mesma coisa se voltássemos a andar em carroças e ler à luz de candeeiros a petróleo, certo?
Não posso dizer que gosto mais de viver na Invicta ou que gostava mais de viver na minha querida Ilha Terceira, o ideal seria juntar o melhor das duas, a minha família e amigos e ser muito feliz. Dizem que a felicidade não é um destino, mas sim um modo de vida. Para mim hoje é dia de ser feliz. Vou fazer com que todos tenham o mesmo propósito!