De vez em quando deparo-me com aquelas crónicas, cada vez mais frequentes, do jornal "Público", sobre aquela coisa... Como é que lhe chamam mesmo? Ah, emigração. É isso.
E começo-me a chatear com isto, porque não consigo dizer não. Tenho sempre de as ler. E deixar mais umas gotas de água salgada no mundo.
Apesar de nunca ter vivido a realidade da emigração, já estive longe e, ainda hoje, poucas vezes consigo estar tão perto quanto desejava. E esta crónica tocou-me mais que as outras. Lembrei-me da minha família, do que é estar longe, principalmente nos dias especiais, nos aniversários, nos momentos em que queremos saborear uma "vitória" ou, apenas, desabafar sobre um mau dia:
"A saudade, que só se tem em ausência, é ainda assim um saco
que nunca se esvazia, mesmo quando estamos juntos todos os dias, porque são
dias contados. Nunca poderei devolver a quem amo os dias que lhes retirei.
Posso só tentar que os que partilhamos sejam grandes. Posso só ser mais amor,
tentar ser menos falha, e pedir com a humildade da minha pequenez que a vida me
permita dar-lhes muito mais."
A pessoa que escreveu isto não está certamente sozinha, para além de mim, devem existir milhões de pessoas no mundo a passar por isto. E está tão certo, o tempo não volta atrás e nunca poderemos devolver às pessoas que amamos os momentos em que deveríamos ter estado juntos e não estavamos.
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