"amei e fui amada. foi o ano em que passámos mais tempo
juntos, em que fomos mais felizes. ironicamente foi também o ano em que nos
separámos. quando eu pensava que a montanha russa de emoções se transformara
numa viagem tranquila a dois, a vida trocou-me as voltas mais uma vez. levou-te
para longe e deixou-me desamparada. de novo. tomei decisões muito sérias, como
se a minha vida dependesse disso. e dependia. chorei muito. às vezes ainda
choro. mas ergui a cabeça e segui, ainda que o caminho seja o mais difícil.
ouvi-te horas a fio. também falei. duvidei que pudéssemos manter um
relacionamento saudável, mas conseguimos. ainda me revolto, mas menos. percebi
que no caminho não deve haver ressentimentos nem coisas por dizer. que devemos
arriscar com o coração, mas saber recuar a tempo de não provocarmos danos
irreversíveis. sonhei muito, nem sempre com os pés assentes na terra. acreditei
sempre. revoltei-me, impotente. e revoltei-me por não poder fazer mais.
culpei-me e culpei-te. perdoei-nos. ou melhor, tentei compreender o
incompreensível. revoltei-me de novo. esperei que o tempo curasse. não tudo,
mas o possível para a vida continuar. tentei desfazer-me de ti nos objetos e
nos pormenores, mas não em todos, não tive coragem. respirei fundo mais vezes.
cedi. comprometi-me. percebi que nem sempre temos o que mais desejamos. e que a
vida muda a qualquer instante. para o mal e para o bem. resumindo: amei e fui
amada. não é isso o mais importante?"
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